domingo, 28 de abril de 2013

Óleos Essenciais - Vias de administração e Toxicidade



Já é sabido que o uso dos óleos essenciais requer alguns cuidados, pois alguns possuem constituintes químicos muito fortes e que podem causar toxicidade. A toxicidade de um óleo essencial pode ser desde aguda até crônica. As crônicas ainda não são muito bem conhecidas e sobre as agudas podemos citar alguns exemplos:

- Irritação, sensibilização, fotossensibilidade, reações alérgicas: ocorre por um componente químico irritante, que em contato com a pele pode provocar em um primeiro momento uma sensibilização. Se ocorrer a contínua exposição a este componente, o organismo pode reagir com uma alergia ou inflamação mais grave. Alguns óleos que podem provocar sensibilização - canela (alto teor de cinamaldeído) e tomilho.

- Fototoxicidade ou fotossensibilidade: ocorre principalmente com os óleos cítricos ricos em furanocumarinas. Entre eles estão os de limão, bergamota, laranja, verbena. Esta sensibilidade ocorre principalmente quando os óleos são utilizados puros sobre a pele (o que NÃO deve ser feito, TODOS os óleos devem ser utilizados diluídos em um carreador) e a pessoa se expõe a luz ultravioleta (solar). Já existe no mercado o óleo essencial de Bergamota LFC (livre de furanocumarinas), ou seja ele não possui o composto químico bergapteno, que é o causador da fotossensibilidade.

- Neurotoxicidade: óleos ricos em tujona (sálvia officinallis), fenchona (funcho ou erva-doce), cânfora e pinocanfona (cânfora, hissopo) são convulsionantes, podendo causar distúrbios psíquicos quando empregados em altas doses oralmente.

- Efeitos Psicotrópicos: já exitem óleos com efeitos psicotrópicos estudados e que devem ser utilizados com cautela tanto na forma tópica quanto na forma oral. Um bom exemplo é a noz-moscada, que possui como constituintes químicos a miristicina e elemicina que quando aplicado em doses altas no organismo (mais de 1,5 ml = 37 gotas) provoca os mesmos efeitos do ecstasy, pois dentro do organismo esses dois componentes químicos são convertidos em MMDA (3-metoxi-4,5metilenodioxianfetamina) e TMA (3,4,5-trimetoxianfetamina), que são as substâncias precursoras do ecstasy.  Elas vão atuar no nível de serotonina do cérebro e os efeitos produzidos são excitação, alucinações, distorção de cores, perda da noção de tempo. Quando bem empregado este óleo (noz-moscada) é muito útil nos casos de depressão.
Outros óleos possuem efeitos alucinógenos, como é o caso da tuia, da sálvia esclareia, canela. Enfim os óleos devem ser usados com moderação e prescritos por pessoas treinadas e aptas a isto.

Já é conhecido as precauções da utilização dos óleos essenciais concomitantemente com outros medicamentos alopáticos ou mesmo com mendicamentos homeopáticos, onde o uso de alguns óleos essenciais compostos por certos componentes químicos podem potencializar a ação dos fármacos, levando a problemas mais graves.
Porém em se tratando de toxicidade, devemos também levar em consideração a sensibilidade do indivíduo em relação a enorme gama de componentes químicos dos óleos.

Geralmente a toxicidade dos óleos é dose-dependente, ou seja, depende da quantidade de óleo essencial administrada. As dosagens recomendadas com segurança não devem superar 3% em uma preparação. Porém mesmo com dosagens baixas algumas pessoas podem desenvolver toxicidade, apresentadas na forma de alergias. Também é importante ressaltar que a toxicidade depende da via de administração, sendo a via oral uma das mais perigosas neste sentido, se feita de forma não criteriosa quanto ao grau da dosagem.

A via oral, ela pode ser muito eficaz, se empregada corretamente e na dosagem recomendada mas em hipótese alguma deve ser utilizada por pessoas leigas, que não tenham conhecimento químico das propriedades dos óleos, bem como conhecimento fisiológicos adequados sobre as reações metabólicas desencadeadas pelos óleos no organismo. NÃO UTILIZEM ÓLEOS ESSENCIAIS VIA ORAL SEM A ORIENTAÇÃO DE UM TERAPEUTA - AROMATERAPEUTA ESPECIALIZADO E COM CONHECIMENTO ADEQUADO SOBRE O PROCESSO.

O por que de tudo isso? Porque ainda é polêmico o uso da via oral para administração de óleos essenciais mas não é uma via que deva ser desprezada. Ela pode sim ser muito eficaz quando bem trabalhada. Alguns estudiosos defendem o uso oral de óleos essenciais pois acreditam que por serem extraídos das plantas e por estarem contidos nas mesmas na forma in natura também podem ser utilizados na forma isolada, respeitando os critérios estabelecidos para o uso seguro. 

Eu particularmente concordo com eles, pois ao meu ver o que não é tóxico? O que faz mal? Acredito que medicamentos populares vendidos em farmácias são tão tóxicos quanto os óleos , se usados de forma inadequada e em altas dosagens. Assim como bebidas, drogas e até alimentos são tóxicos quando consumidos em altas quantidades.

Os índices de mortes por toxicidade medicamentosa são bem altos se comparados aos índices de morte por uso de fitoterápicos e óleos essenciais, que quase são nulos. Existem sim um caso ou outro mas nada comparado aos medicamentos populares das farmácias. Levando em consideração tudo isso acredito ser o uso oral uma forma segura de tratamento, quando, ressalto mais uma vez, feito com responsabilidade.  Afinal, a aromaterapia deve ser utilizada e aproveitada ao máximo em todas as suas formas de administração.

E para fechar fico com alguns questionamentos feitos por Fabian Laszlo em seu artigo sobre toxicidade dos óleos essenciais e administração via oral: existe problema tão grande na atualidade para com chás, óleos essenciais, homeopatia e florais quando comparado à realidade toxicológica de drogas alopáticas vendidas livremente ao público em farmácias?! Não seriam os óleos essenciais e chás também “remédios populares” que deveriam ter venda livre ou teriam que se enquadrar como medicamentos controlados só sob prescrição médica? Algum óleo essencial empregado em doses terapêuticas consegue ser mais tóxico e destrutivo ao corpo que uma droga quimioterápica empregada igualmente em “doses terapêuticas”? Onde está o problema e quem são os grandes vilões na verdade? 

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